sábado, outubro 09, 2010

Considerações Breves do Paraquedista Imaginário



Quem pensa como eu, as vezes duvida da existência de gente que pensa como eu. Amo tanto a liberdade quanto me libertar. E, assim, algumas prisões assumem um papel perigosamente positivo na minha vida. Talvez este seja o esporte radical de um homem pacato e comum que nunca vai saltar de para-quedas.


Cair assim faz a vida durar.

A grande questão que se resolve cair não é descobrir a distância entre o céu e o chão. Quando se cai não há tempo de ponderar sobre as distâncias. Ao cair se descobre que ficar no ar é o mais duro.

Não dá pra cair onde se quer. Todo tipo de queda é imprevisível. Previsível é apenas quem cai.

Cair é uma forma de amar o vento. Quem voa exerce uma forma de escravidão. Obriga o vento a servir as asas e sustentar um corpo que não suporta o próprio peso.

Quem cai flui.

Quem cai se prepara para um segundo salto.

Cair não é o caminho do abismo. Cair é abismar-se.


outubro, 2010

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