quinta-feira, maio 20, 2010

Pequena História da Vida II



Foi como um cometa que passou rasgando uma noite sem estrelas, sem lua. Foi assim, eu sei - um encontro dura muito pouco. Três anos, enquanto passam, parecem intermináveis. Mas não sabemos nada sobre as eternidades, incapazes (que somos) de vivê-las. Na verdade, tudo se passou num átimo de incosciência - como um eclipse. Depois que a tua sombra deixou o meu céu: meu mundo, repentinamente tão claro. Lembrei agora de toda a nossa história num segundo. Quanto esse tempo valeria se comparado ao que leva pra aquele cometa completar a sua órbita e voltar? Certamente, vale o que se compreende. Este nosso momento breve, este que a nossa cabeça pequena consegue alcançar, vale pelo que nos tira do sono renitente que dificulta o acordar. Duvido que tenha acontecido com você - creio que não - quando acordei daquela incosciência, simplesmente cansei de gostar de você. Gostar também é um evento cósmico, como a passagem breve de um cometa ou um eclipse. Aproveitado - ou não - o momento passa. Chega uma hora: a vida estoura. Sai cantando por aí e larga a casca pra trás, como uma cigarra. E o que sobra é uma coisa leve que a brisa leva. E depois da brisa pode até haver uma chuva, quase sempre há. Assim são as estações. Quantas vezes eu quis te falar da chuva e você não entendeu. Algo simples que até as lesmas aprendem. Com isto, lentamente engolem as suas casas e ganham o mundo. Logo elas, cujo tempo é tão mais breve que o nosso, fazem uma eternidade. Os caracóis também fogem da chuva mas precisam carregar muita bagagem. Nao se deve esquecer que, depois da chuva, tudo - simplesmente tudo - deixa um rastro.

maio, 2010

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