terça-feira, abril 06, 2010

Clavícula


Meu coração navegante. Meu coração marítimo sem mar. Meu coração viajante espera encerrado na distância. Chave e segredo. Chave que abre o centro deste mundo. Mas o tempo é uma dimensão fugidia. Raptor do momento preciso enquanto se espera. O tempo é um deus traidor, que corrói a confiança dos homens na eternidade. E o que há de eterno naquele olhar cheio de ternura? O que permanece além das cinzas do que ardeu um dia? Hálito de vento. Amor em ondas. Aqueles corpos exaustos a beira do que já foi um mar. Ah... Apoia a mão no meu ombro, Amor, que eu te amparo. Não segue esse futuro. O amanhã não deixa pegadas na areia e se deixasse cada maré seria um esquecimento. Tudo é o porvir. Tudo é desconhecer o que a tempestade trouxe nas vagas. Mas eu ainda lembro da maresia, no cheiro dos teus cabelos. Maresia ao redor da minha cabeça girando - minha tontura. Maresia, teu nome é lucidez! Sonhei então que eu era um peixe, mas não queria nadar. Sonhei que eu era prisioneiro do teu litoral e nem sabia o que era amar. Perdido todo sal, o oceano estreito é como um Rio. Margem e limite. Margem paralela do horizonte. Margem sem fim. Fui peixe sim - eu não tinha pés.
abril, 2010

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