domingo, março 28, 2010

Diagnóstico



Boca amarga
Sem doçura na alma

Caso perdido
Difícil dizer se está vivo
Nem sofreu de amor

março, 2010

Nau



Que nostalgia é essa
A saudade que eu sinto?
Nem ouso pensar no teu nome
E já é tarde

Estes horizontes sem navios
O que será?
Estes restos de conchas
Estes seixos rolados
Lembram ao homem deserto
"Um dia tu já fostes mar!"

Como é distante o partir...

março, 2010

sexta-feira, março 26, 2010

O Ombro do Hector


Eu suporto bem esta vida sem cotidiano, sem ter um amor rotineiro. Afinal de contas, sempre foi muito difícil para mim criar uma companhia simplesmente pra evitar este medo (enorme) que eu tenho de ficar só, ficar com alguém por ficar, ficar só com ninguém - até eu mesmo perdido de mim. Então, gradativamente, nesta vida que eu vivi até agora, aprendi a conviver comigo mesmo. Ah! É verdade... Cometo esta obscenidade de ser livre. Completo assim, sem nada e encontrando tudo que é necessário quando eu preciso. Às vezes esqueci disso. Às vezes até choro quando minh'alma momentaneamente enfraquece. Mas este sou eu. Não sou o outro. Talvez poucos me compreedam. Talvez, ninguém. De vez em quando duvido que eu mesmo compreenda. Aliás, a compreensão é como aquele meu olhar pro o ombro do Hector. Nem sei o quanto é possível deixar de amar o outro amparado pela distância, quando a própria distância, em um dado momento (trágico) é uma dádiva. Decidi não perguntar. Amaria facilmente, se eu não desconfiasse de um acordo tácito para o desencontro - quase obrigatório - que se segue a cada encontro emaranhado nesse desígnio de teias. Que falta fazem as Moiras, hábeis em cortar o fio da rede e desamparar uma vida de escolhas convenientes. Não perguntei. Pois onde o porquê é só distância, inútil também é qualquer resposta. Deixemos tudo como está embalsamado pelas lembranças e histórias que aprenderemos a contar, pois muito bem sabemos o que nos agrada. Aliás, nem cheguei a descansar a minha cabeça exausta de pensamentos naquele ombro distante. Prefiro fazer poesia daquilo que nem sequer perdi. O que resta é a sina dos poetas: transformar dor em arte (modéstia a parte).

março, 2010

sábado, março 20, 2010

Love in the mist


Quem dera eu fosse dono deste tempo...
Passado, vapor, lembrança
Quero agora aquele jardim da infância
Onde amar era apenas mistério
Leve, manhã e bruma.

março, 2010

sexta-feira, março 12, 2010

Cartas de uma França perdida...

Foto: Geraldo Soares
Amo teu sorriso distante
Simplesmente porque sorris

Sim, guardarei na minha memória
As cartas que nunca escreverei
Há também nos meus braços
Muitos abraços que jamais darei

Perdi o amor
Mas me restou Paris.

Junho, 2009

sábado, março 06, 2010

Com Paixão


Não tenho todos os sonhos do mundo
Nunca os tive
Nunca os terei

Mas não ignoro o sonhar
Estendo minha mão pra todos eles
E os compreendo neste tempo

Assim vivo
Como se eu fosse possível.

março, 2010