sábado, outubro 24, 2009

Depois do esquecimento, a esperança.


E sem o peso do passado em sua nuca, pode distinguir - além do mar sem fim - o horizonte. Assim nasceu a esperança.

outubro, 2009

sexta-feira, outubro 23, 2009

Mito do Esquecimento



Segundo conta o mito, houve um tempo em que os pássaros voavam sobre um mar sem terras. Depois de voar por muito tempo sobre águas sem fim carregando o corpo morto do pai, um dos pássaros resolveu sepultá-lo na sua própria nuca. Assim surgiu a memória. (1)
O que não está escrito e nunca foi contado, seguiu-se depois. Cansado de voar com a memória do pai, aquele mesmo pássaro voltou a procurar. Do corpo sepultado em sua nuca, restava cada vez menos. As memórias tornavam-se cada vez mais distantes. Foi então que encontrou um barco abandonado, à deriva no mar sem fim. Resolveu que ali deixaria os ossos de seu pai. E assim surgiu o esquecimento.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Matemática do Abismo

Um número redondo, desses grandes, olha com desdém um número primo e diz:
-Eu sou grande e par. Sou comemorado.
E respira fundo, alegre e confiante.
O número primo, fitando o próprio reflexo no espelho, responde:
- Eu só me divido por mim mesmo e o que resta é unidade. De certa forma, sou único, mas estou até no canto das cigarras.

outubro 2009

terça-feira, outubro 06, 2009

Sobre Jasmins-Manga e Guapuruvus



O que falta?
Eu me pergunto
É um sentido de vida
Se à altura dos quarenta
Todo sentido é direção
O tempo é também precioso

E, de repente
Outra vez o “de novo”
O início das coisas
Todo recomeço
Um olhar que desconheço
Onde será que eu me perdi?

Antes que perguntar
Prefiro esperar sob a sombra das árvores
E, lentamente
Encobrir os meus passos

Se cada passo, uma lembrança
Cada lembrança, a sombra de uma árvore
Assim contarei os meus anos:
Sem lembranças
Apenas sombras
O desenho das folhas
Alguns ramos
Tudo é “sombras”

Flores todos os anos
Por alguns dias, flores
Se é lembrança os seus odores
É também a imagem das frondes

Mas aguardarei feliz
A lagarta faminta do tempo
Devorar-me
Ávida por ser borboleta.

janeiro, 2008

quinta-feira, outubro 01, 2009

Memória

Foto: Geraldo Soares


A lembrança que guardam de mim
Sou eu
Sou também esse tempo
O presente
Onde simplesmente estou.

E sempre estarei
Em cada encontro
Em cada espera
Em cada palavra
Em cada silêncio
Em cada olhar
Sempre amarei
Cada espera
Cada encontro
Cada palavra
Cada silêncio
Cada olhar
Por mais breve que seja
Viverei em cada recordação

E partirei e(terno)
Na memória compartilhada
Da primeira chama.

junho, 2008