domingo, abril 26, 2009

Lunar


Era noite - eu voltava pra casa...
Na cabeça os cacos de uns versos
Sobre partidas, encontros, chegadas
Outra tentativa, outra casa...

A Lua parecia uma hóstia mordida além da metade
Todo caminho até ali era sagrado
Da boca ainda sangrava aquele gosto vermelho.

E eu me vi como um louco 
Feito outros tantos perdidos no caos
Retendo nas mãos aquele tempo fugidio
Aquele tempo feito uma foice invertida no céu.

Tornei-me então a sombra de uma Terra
Que morde a hóstia 
Que prova o gosto do sangue
Que se percebe real.

E senti simplesmente
Como os que amam o amor que recebem 
Que roubam a luz maculada
Abençoados pela sombra terrena.

E tal e qual a lua 
Que todo os dias se repõe,
O meu tempo é um agora
Que não tem fim...


Abril/2009

Um comentário:

Elvio disse...

Duas coisas mt importantes sobre esse poema:
Este trecho "A Lua parecia uma hóstia mordida além da metade
Todo caminho até ali era sagrado
Da boca ainda sangrava aquele gosto vermelho." me parece MUITO mt mesmo - Rimbaud. Tem toque do sagrado, tem a fagia dos elementos da natureza, tem um uso tal qual "gosto vermelho" (Gosto tem cor?). Mas achei o poema grande e tem palavra hóstia duas vezes - ela é forte demais e chama a atenção. Amor e amor logo em seguida tbm não gostei. Já que vc se predispor a ser rimbauldiano, exigo excelência!!!!!
PS - esse não precisa publicar!!!