quinta-feira, abril 30, 2009

Gratidão


Aliás
O amor esteve oculto

E o verbo aprisionado pela espera
Mas esta vida deu-me outra vez
O presente da presença do outro...
Eu apenas aceitei

E agradeci.

Abril, 2008

quarta-feira, abril 29, 2009

Presença


Do que me tens a dizer 
Tudo eu prezo
Porém me bastam os teus silêncios
Pois minh’alma - também silenciosa
Dispensa as palavras.

Daqui para adiante ela te acompanhará
E talvez tu nem a percebas de fato
Ou talvez a confundas com uma brisa
Que toca levemente o teu corpo
Enquanto eu te desejo.


Abril, 2009

domingo, abril 26, 2009

Lunar


Era noite - eu voltava pra casa...
Na cabeça os cacos de uns versos
Sobre partidas, encontros, chegadas
Outra tentativa, outra casa...

A Lua parecia uma hóstia mordida além da metade
Todo caminho até ali era sagrado
Da boca ainda sangrava aquele gosto vermelho.

E eu me vi como um louco 
Feito outros tantos perdidos no caos
Retendo nas mãos aquele tempo fugidio
Aquele tempo feito uma foice invertida no céu.

Tornei-me então a sombra de uma Terra
Que morde a hóstia 
Que prova o gosto do sangue
Que se percebe real.

E senti simplesmente
Como os que amam o amor que recebem 
Que roubam a luz maculada
Abençoados pela sombra terrena.

E tal e qual a lua 
Que todo os dias se repõe,
O meu tempo é um agora
Que não tem fim...


Abril/2009

terça-feira, abril 14, 2009

Agnoia


Se pudessemos voltar 
Nosso olhar no tempo
O que veríamos?

Muito do que sabemos 
Nos ensinou quem desconhecia

E é assim  também com o amar
(Se fosse simplesmente aprendido)
Frequentemente fomos ensinados
Por quem ignorava o sentido.

Abril/2009

sexta-feira, abril 10, 2009

segunda-feira, abril 06, 2009

Istimado


Aqueles dois mares
Dos quais te falei antes
Distavam bem pouco deles mesmos
Por apenas um istimo
Que se atravesava num átimo

Mas eu
Deslumbrado pela visão épica 
Da divisão dos mares naquele caminho
Por pouco me perdi

Qual o engano daqueles mares?
Parecerem um oceano.

Abril/2009

Átimo


Se o tempo fosse palpável
Toda vida seria matéria
E o momento vivido
Um átomo.


Abril\2009

Istimo


Entre quem partiu
E quem nunca chegou
Está o meu litoral


Desencontro turbulento
Vento de tempestade

Não há calmaria
Neste coração


Não fui
o porto
Que eu queria

Não encontrei o barco

Que eu merecia
.

Abril/2009

domingo, abril 05, 2009

Solitude


Certo dia
Perguntaram-me 
Por que tão sozinho?
E eu dei-me conta disso
E quando pensei na solidão
Escrevi

Sim
Posso estar solitário
Mas nesta solidão 
Eu tenho o abrigo da poesia
Onde cabe um mundo

Então 
Antes ser só assim
Repleto
do que ser vazio.

Abril/2009

Ilusão Marítima


Suposto amor
Guarda bem o teu abrigo
Pois a tua concha vazia de amar
Nem serve de casa

Tudo com que preenche
O espaço do teu tempo
É nada mais que Ilusão

Quando ouve
O barulho do vento
Julga que é mar.

Abril/2009

quarta-feira, abril 01, 2009

Sem Título


Há aqueles que aprisionam pássaros
Em abismos
E sinceramente abismados 
Os ame

Desejo prmeiro
Desejo natural
É cativar

Aprende (realmente) a amar
Aquele que chora
Ao contemplar a partida.

Mas eis um dia
Que a profundeza é lar.

Abril, 2009

Plenitude


Há certamente lugar
Para este mundo de grandiosidades
Hoje porém, nada disso me seduz

Eu arrebatado pela visão
Das árvores
Ao vento 
Repleta de pássaros 

Desejo tudo simples
Tudo sinceramente real.

Abril, 2009


Poema natural


Da minha janela
Vejo uma grandiúva ao vento
É já perdi a conta dos sanhaços

E nestas horas eu me pergunto:
Quantos mitos
Valem uma realidade?

Abril, 2009