domingo, março 29, 2009

Ulysses


Não me basta saber
Que todas as noites
Desfaz tuas tramas (por mim)
Num ritual de espera

Ninguém me oferta o tempo
Pois ele já me pertence.

Março, 2009

5 comentários:

Élvio disse...

"Mas de vez em quando vinha a inquietação insuportável: queria entender o bastante para pelo menos ter mais consciência daquilo que ela não entendia. Embora no fundo não quisesse compreender. Sabia que aquilo era impossível e todas as vezes que pensara que se compreendera era por ter compreendido errado. Compreender era sempre um erro - preferia a largueza tão ampla e livre e sem erros que era não-entender. Era ruim, mas pelo menos se sabia que se estava em plena condição humana."
Ulisses me lembra James Joyce, me lembra Clarice, me lembra esse texto.

Ariane Rodrigues disse...

o que é a espera
senão o ato mesmo de esperar?
o ato de estar atado
a um tempo que virá?

...e Penélope continua a esperar, com suas tramas e traumas..

Élvio disse...

A metáfora de Penélope é pura poesia.

FRIZERO disse...

Será que tudo que Penélope oferece a Ulisses é... tempo?

A metáfora é bela, mas abre caminho para outros questionamentos. Para a beleza de renunciar-se por amor, por exemplo. Penélope é símbolo de renúncia - e renúncia pode ser um altíssimo sinal de nobreza.

Mas o que realmente garante que Ulisses encontre Penélope à espera são as raízes de sua relação. E sua cama, diz Homero, estava enraizada com soberbas raízes.

Belo poema.

Elvio disse...

Os gregos souberam -sempre os gregos - representam não as virtudes humanas (esses conceitos são mutáveis) e sim seu estágio puro de humanidade.
Daí Penélope, Ulisses, Édipo, Medéia, Andrômaca, Heitor e tantos outros serem sempre modernos e ainda nos causar surpresas.