segunda-feira, março 16, 2009

Cecily


Para Cecily (é claro)
I
Cecily, andemos de mãos dadas
Ao longo deste caminho.
Não me deixes só,
Não te deixes só - estenda a mão
Que a minha a tua espera,
Solta no ar acenando um adeus;
Mesmo assim, espera...

II
Ao largo de tudo que supus ter vivido
Do teu lado, Cecily, caminha o meu sonho.
Poderia ter sido a sombra do melhor amigo
(Música antiga, difícil lembrar),
Fui apenas uma noite de invisíveis sombras,
Onde os cães adormecem esquecidos.

III
Ah! Cecily ...
Adormeças ao meu lado;
Não te deixes tão só,
Eu assim tão só.
Simplesmente, adormeças do meu lado
Que eu velarei teu sono,
A distância guardarei teu descanso,
Adormecido, no que suposto apenas,
Haveria sentido.

IV
Olha, Cecily,
Como passou o tempo - tão depressa...
Nossos rostos, assim tão mudados,
ainda são os mesmos.
Veja no jardim as árvores que plantamos juntos,
Já estão maiores que os nossos enganos;
Descansemos então à sua sombra,
Desfrutando em nós o que é humano.

V
Portanto, Cecily, sorrias.
Sorrias, encenando teu sono.
Dormitas, levemente, dormitas;
Que eu não te amei,
Eu sempre menti - dormitas então,
Que eu violarei teu sono
E com os meus, invadirei os teus sonhos.

Agosto, 1989

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