domingo, março 01, 2009

O último drama do Epicuro


TEMPO
De noite
Estendo-me na neutralidade
Como se fosse este o meu único leito
Meu único coforto e descanso
Não durmo
Não há sono
Não durmo.

Vagueio por noites claras
De uma dor quase luminada
Mas é difícil enxergar uma dor
Embora seja fácil sentí-la
Pois (nesta vida) sentir
É simplesmente um hábito.

E fechada a porta do quarto
Desimporta-se qualquer esperança
Que espera ansiosamente
O amanhecer de outro dia
Mas eu nem mesmo espero
Consciente de que os dias sempre amanhecem.

E viro e reviro-me
Por todo o mundo contido neste catre
Despojado dos meus sonhos
Vejo o vulto de tudo encoberto
Pelo avesso dos lençóis
E desconheço a vida além dessas tramas.

Quando me acredito desperto
Decido cair
E é então que me sinto leve
Dissolvido pelo cansaço
Adomecido pelo esquecimento.

fevereiro, 2009

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