sexta-feira, março 06, 2009

A natureza morta do amor



O amor se alimenta de sol

Mata sua sede com chuva

Cresce como planta - árvore frondosa
E mesmo não havendo frutos
(Que permanecem no imo dos ramos)
As folhas guardam a esperança
Revelada tão somente pela cor

Espera por que espera o amor espera

Olhando para cima - para o céu tortuoso

Vê um azul absurdo

E também vê nuvens (incansáveis) a sugerir imagens

Então o tempo em seu suceder implacável

Passa como se fosse vento

Leva as folhas - agora amarelecidas

Leva as nuvens - imagens desvanecidas

Leva tudo

Até o nada mais leve

Nada mais...

E o mais belo jardim
Nasce sobre folhas mortas.

Dezembro, 1988

Um comentário:

Ariane Rodrigues disse...

Natureza Morta


Todos têm um quadro desses:

Parado, em cima de um móvel

Ou sob o coração, imóvel

Senão numa grande parede!


Um belo vaso de flores

Sobre a mesa, estático

E dentro artigos de plástico

Contendo mortos amores!

(Dezembro/08)


Depois do outono, que venham primaveras nas tuas próximas telas!
Abraço!