segunda-feira, março 16, 2009

Fragilidade



Para Andréa Paula Carestiato Costa

“Não me toque tanto assim
O mundo é pequeno e redondo
Eu posso girar e cair."
(Jairo Salvador)



A ninfa de mármore
Persegue (incansável) o seu destino,
Que, escondido pelo espectro das árvores,
Corre contente como se fosse um menino.

Atravessa um verão e outra primavera,
Descobrindo em cada estação um sonho.
Enquanto dorme, abate uma quimera,
Que lhe exibe o rosto medonho.

Quando acorda, a criatura sobrevive,
Muito além do sonho, envolvida pelo arco;
Mas é apenas o outono atravessando o marco.

Assim, ela descobre que o porvir é livre,
girando e dando voltas no seu suceder ágil
E sustenta o fio de tudo, tão forte que é frágil.

Novembro, 1989

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