segunda-feira, março 09, 2009

Érato


I

Não tenho emoções

Tampouco sentimentos

O que tenho são apenas sensações

Nada tão profundas como pensamentos.


Qualquer coisa que por ventura eu sinta

Nunca me pertence

São desse outro que em mim habita
E
que por mim sente.

II

Na profundidade desta solidão
Fico cada vez menos profundo
Conheço apenas a superfície do mundo
E o pouco que conheço parece imensidão.

Então, meu espírito abandona tudo que faço
Vivo mentiras que se tornam lembranças
Na tentativa de sobreviver às esperanças
De uma vida que segue, à medida que eu passo.

Março, 2009

Um comentário:

Ariane Rodrigues disse...

A sonoridade provocada pelas rimas alternadas em I, a meu ver, é ímpar e o tom melancólico do segundo poema me seduz muito. Bjo.