quinta-feira, março 05, 2009

Cronologia



Visão de um azul tão subtamente profundo
Luzes substituídas por outras luzes
Os postes tomando o aspecto de cruzes
Apontam pro Continente como se fosse outro mundo

Contatos com terras de uma outra terra
Soando como o eco de alguma infância
Mas a realidade prende na própria constância
Das idades que compõe uma era

Sujeitos à essa estranha cronologia
Que arruma um dia ao lado de outro dia
Como livros numa estante


Confundem-se os relógios que compassam a vida
Pois é inutil qualquer medida

Quando tudo se resume num instante.

Janeiro, 1986

Um comentário:

FRIZERO disse...

Que belos poemas escondias no arquivo, não? Tenho lido sempre, ainda que na maioria das vezes não me aventure a comentá-los. E me surpreendido com esses versos de vinte anos atrás.