segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Estranhamento



Eu já deixei tantos lugares onde nunca estive...
Cada vez é mais fácil partir assim.

Sem ter que encontrar uma porta, 
Para descobrir a saída.
Sem ter que abrir uma janela,
Para ver o horizonte.
Sem ter que contar os passos,
Para medir um caminho.

Na bagagem eu levo apenas
O que há de valor.
Meus devaneios.

E Sorrirei, 
ao passar mais uma vez
Por aqueles olhos,
Agora tão estranhos.

Sorrirei,
Como se fosse um reencontro.

Fevereiro, 2009

Um comentário:

Ariane Rodrigues disse...

Me doeu este poema. É assim. A poesia é plástica, elástica, metamórfica. Por vezes, acaricia; por vezes, espezinha. Desculpe o drama "caravaggico". Por ora, emergi num chiaroscuro barroco.