quarta-feira, janeiro 21, 2009

Seriados



De tanto ler Rubem Alves veio na minha cabeça uma analogia entre pessoas e coisas. O Rubem é um mestre em fazer analogias. Desse jeito ele deixa claro o seu sentimento e a sua compreensão das coisas.
Este "post" tem haver também com uma conversa que eu tive a pouco, pelo Skype, com o Bruno. Conversar com ele me fez recordar os tempos bons quando ele estava presente e bem perto. Agora longe, como eu percebo o presente que ele é na minha vida desde que eu o conheço. O tempo tem dessas coisas. Mas ele não se fez seriado... Já imagino o Bruno me perguntando: "O que vc está querendo dizer, Geraldo?" Mas ele nunca perguntaria.
Bem, então voltemos a "vaca fria". Os seriados têm capítulos, temporadas... Alguns duram anos, outros são bem curtos. Mas sempre acabam. A gente se envolve com eles, ajustamos nossos horários, criamos uma rotina de encontro. Isso dura algum tempo, mas sempre acaba.
Hoje vejo o encontro com algumas pessoas da minha vida como um seriado. Há toda essa preparação para "acompanhá-los" e por mais que se seja fiel e constante essas pessoas chegam um dia que esgotam a sua história - pelo menos com a gente. Eles chegam ao fim. As vezes como se tivessem sido tirados do ar. Simplesmente findam. E a tentativa de mantér a série no ar é sempre desastrosa. A história perde o conteúdo. Fica sem pé e sem cabeça.
Não percebemos, mas alguns encontros não são nada mias do que isso:   um momento e depois cada um segue em frente seu próprio caminho. Alguns "encontrados" simplesmente param ou tomam outro rumo onde não cabemos. Talvez até nos encontremos no futuro - por vezes esses reencontros são permeados por uma sensação de reprise. vale a pena ver de novo, alguns diriam. Mas antes que olhar isso com trizteza, acho devemos respeitar e lembrar desses encontros com um sentimento histórico. Em algum tempo, pelo menos, aquele acontecimento foi um marco. Teve um significado. 
Bem, meu sentimento nostálgico me faz (inutilmente) pensar que tudo poderia ser diferente.
Mas isso é simplesmente apego e costume. Não mudei de idéia sobre o fim das coisas. Nem sobre a importância da memória de tudo. 

2 comentários:

FRIZERO disse...

Por vezes, a reprise faz mais sentido do que quando assistíamos o seriado em outros tempos.

E por vezes eles saem do ar apenas para retornar com mais força, texto melhor, personagens renovados.

Um abraço, amigo.

Raul disse...

Belíssimo texto! E gostei do comentário do Frizero:

"Por vezes, a reprise faz mais sentido do que quando assistíamos o seriado em outros tempos"

Falou tudo!

Um abraço