sábado, janeiro 03, 2009

Neverland



Ao atravessar aquela ponte ele, de repente, olha para trás. Entre o passado incompreensível e o futuro desconhecido esta sempre lá, o presente: cada passo da travessia. Mas assim, parado, ele tem a confortável ilusão de um tempo estancado e assim ficou por muito tempo. Ao seu redor tudo mudava, menos ele.
Peter Pan, assim o comprimentaria: Bem vindo irmão a sua Terra do Nunca! Não se iluda tanto assim. Nunca haverá companhia nessa jornada. Os meninos perdidos nunca se vêm realmente. Vêm o que querem ver. Vêm nos outro a sua propria imagem, a imagem da sua perdição. Aqui não há verdadeiramente "outros". Todos somos diametralmente iguais.
O que mais aterroriza num tempo que muda, que flui? Peter Pan sabe a resposta. É o fim inevitável de tudo. É saber que nada será permanente. Haverá, então, um dia apenas uma terra árida e sem vida, onde as conquistas e os amores dos homens estarão esquecidos. Nenhuma história será contada. Nenhuma história será ouvida. de tudo construído não restarão nem mesmo as ruínas.
Por isso aprisionamos tão desesperadamente o passado e tememos o futuro. Tentamos ficar no meio da ponte. Esse grande esforço, surpreendente, é inútil. Quanto sofrimento é necessário apenas para descobrir que o fim chegará, que tudo tem um ponto final? Assim perdemos nosso sono para ter pesadelos e sonhos acordados. Pesadelos e sonhos são eternos enquanto não se desperta deste outro sono.
Aproveitar o momento breve da vida, enquanto há vida. Eis o sentido de tudo.

"Somos o que fazemos,
mas, acima de tudo,
o que fazemos
para mudar o que somos."
(León Gioge)

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