terça-feira, dezembro 15, 2009

Badi


Eis a mulher que ousa ser pássaro
Canta
- e tão divinamente -
que nem carece de voar...

dezembro, 2009

De composição


Amor mor
Amora vermelha, doce e morta
Nada além das palavras, lavras, larvas
Por onde vai o teu caminhar?

Hoje o rio esqueceu dos peixes
O vento anda só, longe das nuvens
Meu caminho não tem companhia

E eu sinto
A sensação de um caracol sem casa
Lambendo as folhas perdidas das árvores
Pois nesta altura o que espero é retorno
Todo eterno passado
Embalsamado na minha saliva
Tempo gravado
Lentidão.

dezembro\2009

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Poema Natural II


Dias passados de antúrios

Manhãs repletas de girassóis

Luz tênue
Água calma
Breve rio

O tempo
No rastro dos caracóis.

Dezembro, 2009
foto: Geraldo Soares

domingo, novembro 08, 2009

Pequena História da Vida


Compreender leva tempo e a vida andou com pressa... Feito o vento, areias, ondas do mar. Eu me lembro de você, sempre confuso. Eu sabia que os homens à beira do abismo constroem a própria solidão repleta dos outros. No teu olhar havia apenas aquela mesma dúvida. Hoje eu sei que os teus olhos eram apenas as janelas da máscara confortável e cotidiana. Tanto tempo se passou até a a nossa compreensão. Mas voltar nunca será uma virtude dos nossos destinos. Nos perdemos no caminho para aquela praia onde a vida se escrevia antes das ondas.

novembro, 2009

sábado, outubro 24, 2009

Depois do esquecimento, a esperança.


E sem o peso do passado em sua nuca, pode distinguir - além do mar sem fim - o horizonte. Assim nasceu a esperança.

outubro, 2009

sexta-feira, outubro 23, 2009

Mito do Esquecimento



Segundo conta o mito, houve um tempo em que os pássaros voavam sobre um mar sem terras. Depois de voar por muito tempo sobre águas sem fim carregando o corpo morto do pai, um dos pássaros resolveu sepultá-lo na sua própria nuca. Assim surgiu a memória. (1)
O que não está escrito e nunca foi contado, seguiu-se depois. Cansado de voar com a memória do pai, aquele mesmo pássaro voltou a procurar. Do corpo sepultado em sua nuca, restava cada vez menos. As memórias tornavam-se cada vez mais distantes. Foi então que encontrou um barco abandonado, à deriva no mar sem fim. Resolveu que ali deixaria os ossos de seu pai. E assim surgiu o esquecimento.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Matemática do Abismo

Um número redondo, desses grandes, olha com desdém um número primo e diz:
-Eu sou grande e par. Sou comemorado.
E respira fundo, alegre e confiante.
O número primo, fitando o próprio reflexo no espelho, responde:
- Eu só me divido por mim mesmo e o que resta é unidade. De certa forma, sou único, mas estou até no canto das cigarras.

outubro 2009

terça-feira, outubro 06, 2009

Sobre Jasmins-Manga e Guapuruvus



O que falta?
Eu me pergunto
É um sentido de vida
Se à altura dos quarenta
Todo sentido é direção
O tempo é também precioso

E, de repente
Outra vez o “de novo”
O início das coisas
Todo recomeço
Um olhar que desconheço
Onde será que eu me perdi?

Antes que perguntar
Prefiro esperar sob a sombra das árvores
E, lentamente
Encobrir os meus passos

Se cada passo, uma lembrança
Cada lembrança, a sombra de uma árvore
Assim contarei os meus anos:
Sem lembranças
Apenas sombras
O desenho das folhas
Alguns ramos
Tudo é “sombras”

Flores todos os anos
Por alguns dias, flores
Se é lembrança os seus odores
É também a imagem das frondes

Mas aguardarei feliz
A lagarta faminta do tempo
Devorar-me
Ávida por ser borboleta.

janeiro, 2008

quinta-feira, outubro 01, 2009

Memória

Foto: Geraldo Soares


A lembrança que guardam de mim
Sou eu
Sou também esse tempo
O presente
Onde simplesmente estou.

E sempre estarei
Em cada encontro
Em cada espera
Em cada palavra
Em cada silêncio
Em cada olhar
Sempre amarei
Cada espera
Cada encontro
Cada palavra
Cada silêncio
Cada olhar
Por mais breve que seja
Viverei em cada recordação

E partirei e(terno)
Na memória compartilhada
Da primeira chama.

junho, 2008



domingo, setembro 27, 2009

Arco


Quis ser virtuoso
Coerente com minha vida cheia de palavras
Quis ser virtuoso e desafinado

Recolhi-me neste mundo silencioso
Onde o som das palavras é memória
Um eco reverberando no abismo

Nem feliz
Nem triste
Nem poeta

Apenas escrevo
Para não esquecer o que é falar.

setembro, 2009

quarta-feira, setembro 02, 2009

Pasto


Partir por estar perdido
Soa as vezes como desculpa
De quem numca (realmente) chegou

A grama que cresce do outro lado da cerca
Pode estar (agora) mais verde
Mas toda grama é apenas capim
E o que é o capim além de pasto?

Talvez a boa sorte
Para quem parte perdido
E ter para onde voltar.

setembro, 2009

terça-feira, setembro 01, 2009

Wonderland


A humanidade criou cidades
E o homem perdeu o espaço

Eu que prefiro o campo
Até vivo bem por aqui
Como viveria em qualquer lugar

Faz tempo que não pertenço
E a minh'alma nação
Conhece bem o preço desta liberdade.

setembro, 2009



domingo, agosto 30, 2009

If Less Is More...Nothing Is Everything


Ah! O vazio...
Sempre a nos espreitar
Sempre nos nossos calcanhares
É um pesadelo que aterroriza
É apenas o vazio

Medo tolo
Medo do nada
De ter nada
Por dentro

Contenta-te com que tens
Contente pelo que tens
Sorria sem motivo
Não há melhor contentamento.

agosto\2009

sábado, agosto 15, 2009

Louis Vuitton (Le luxe ou rien!)


Há muito tempo
O meu coração
Decidiu não carregar excesso bagagem
O pouco que restar, se restar...
Será o meu luxo.

agosto, 2009

Alerta nas entrelinhas de toda literatura poética


Não sinta tanto assim o tudo
Não é saudável
(Esqueça)

Muito menos
Procure alento na leitura
De quem nomeou o incompreensível
O inominável...

E, o mais importante,
Não seja poeta.

agosto, 2009

Paux de un


O meu silêncio
É como um passo virtuoso de ballet
É suave...

Não deixa de ser um esforço.

agosto, 2009

terça-feira, agosto 11, 2009

Para uma tragédia: pelo menos dois


Há alguém lá fora
Engano meu
Certamente havia alguém lá fora
Não era o barulho do Minuano
Nem a chuva incomum destes dias invernais

Sim, alguém
Eu sei
Sempre soube
E era aquele você esperado
Era também o alternar de lembrança
De encontro e de de desejo
Tão comum no coração de um apaixonado

Fui capaz, apenas por algum tempo,
De contemplar o seu gesto paradoxal
Você cada vez mais distante
Mesmo no momento do encontro

Enxergou o meu eu mais profundo
Como quem simplesmente olhava uma janela
Onde qualquer segredo em mim
Descortinava-se pros teus seus olhos
E assim fui inteiro sem direito as metades
Num tempo tão breve despertenci

Mas parafraseando o Álvaro (1)
Num misto de citação e plágio
Mesmo que isso tenha acontecido,
isso aconteceu a tão pouca gente
Que nem vale a pena ter pena
Da gente a quem isso acontece.

julho, 2009

sexta-feira, julho 31, 2009

Sirénios


Meio terra meio água
Canta pras ondas
Como quem flerta o mar

O quê tu esperas
Se o oceano não ouve
E nem vê?

julho, 2009

quarta-feira, julho 29, 2009

Epitáfio do Amor



Definitivamente o Amor está morto. Não acreditei. Conferi nos anúcios fúnebres dos jornais da capital. E era verdade. Ele morreu, velho e desgatado. Dizem que foi de tédio pelas rimas vulgares. Dizem que o amor se incomodava com a flor e com a dor. Triste do Amor que precisa explicar o porquê da própria morte. Nem na morte consegue sossego. Dizem também que ele morreu pelo desuso, feito o latim. Ninguém entendia e nunca há(via) muito tempo para o Amor. Frases muito longas, cheias de declinações, metáforas; nada prático o Amor. Ambos são bons candidatos para a morte. O Amor, a exemplo do latim, esquecido e sem uso, decidiu morrer. E morreu todos os dias desde que o primeiro ser o encontrou. Naquele tempo o Amor, renitente que era, insistia em nascer e o Ser e o Verbo se confundiam numa língua viva, cheia de linguagem, sinais, mensagens, emoções, afetos, flores, dores... Mas o Amor não resistiu. E Morreu. Por que o Amor, entristecido, quando se descobre sem uso, continua morrendo. Ele morre dentro de si. Ele morre de dentro para fora. Ele morre todos os dias. O Amor morre simplesmente, sem caixão folheado a ouro. Ele morre sem cerimônia. Astro pop morre melhor do que o Amor. A vantagem é que o Amor morre em gerûndio, mesmo nos anos bissextos. Sim, espalhem a notícia: O Amor é um deus mortal! E não se espantem, pois o mundo continuará do mesmo jeito sem o Amor. A vida o dispensa todos os dias e continua viva. E ele, o Amor, inútil, resolveu apenas não mais resistir - o que é bem simples. Antes morrer do que ser morto todos os dias. E o que fazer todos os dias com o Amor? O Amor não é algo prático. Sempre dá problemas. Melhor morto e embalsamado. Talvez o Amor exposto, destripado, virado no avesso do amor sirva para alguma coisa. E, aliás, pra que serve o Amor - vivo ou morto? Vende produto? Cria famílias? A indústria se desenvolve, os mercados se expandem, as famílias prosperam e a humanidade enriquece há séculos e foi cientificamente comprovado que tudo isso acontece sem o Amor. O Amor é um exagero inútil. Não, agora, que está morto. E tudo que morre vira lembrança por algum tempo. O Amor-lembrança provavelmente servirá para algo. Será que esse é o valor do amor? Faltar? Morrer todo dia para ser procurado, pensado, destrinchado, pesquisado. Será que o Amor vale que nem o Mar Morto que é morto e nunca deixou de ser Mar. Se a lembrança de qualquer coisa a deixa mais viva, por que não seria assim também com o Amor? O Amor morto é mais vivo do que foi em vida. Então, essa é a estratégia do Amor, deus mortal. E por isso ele morre todos dias. Ninguém se dá conta do Amor moribundo que ainda resiste. Só o Amor definitivamente morto será lembrado. E morre o Amor pois não se morre com ele. Este será o seu epitáfio.


julho, 2009

sábado, julho 25, 2009

Mudez


Em qualquer lugar
Há mais som que silêncio

Mas se eu não te ouço
É difícil acreditar
Na tua voz mais profunda.

julho, 2009


quinta-feira, julho 23, 2009

Axioma de Eros


Não existem paixões mal resolvidas
Entretanto elas representam
De maneira aproximadamente suportável
As paixões que eu não compreendi.

Julho, 2009

Tear


O amor tece
Seus próprios mitos
E os fios da teia
Do amor/tecido
[temor d'amor(te)]

julho, 2009

sábado, julho 18, 2009

Licor de Abacaxi



"Je sais une tristesse à l'odeur d'ananas,
je suis moins triste,
je suis plus doucement triste."
(Gaston Bachelard)

O amor (se é amor)
Morre como um abacaxi
Resiste morrer
Apodrece lentamente
De fora para dentro
E retem a doçura.

Julho, 2009



segunda-feira, junho 29, 2009

sábado, junho 27, 2009

quinta-feira, junho 18, 2009

Torre de Babel no Coração


Estou aqui tão distante de casa e o que me faz mais falta e o som familiar da minha língua. E eu bem sei qual é o meu engano. Da minha janela da Torre eu acredito compreender o Mundo. Eu não confio nos ouvidos do Mundo.
Sim, muitos dirão: Compreender é um exercício mental. Mas, além do intelecto, o que inspira a compreensão é uma série de pequenas virtudes já publicadas(1), dentre as quais eu tomo a liberdade de por o afeto. Sentir afeto... Nesse mundo de desafetos espontâneos e de prevenções autopreservativas, o afeto espontâneo, livre e incondicional é mais que simplesmente um sentimento: é uma virtude. Os seres afetuosos são, por extensão, virtuosos. E como eu os invejo.
Outro dia perto de uma estação do metrô assisti uma jovem violinista. Era um desses músicos de rua que só se vê por aqui. Tocava um trecho das quatro estações do Vivaldi. O inverno fechando essa primavera chuvosa, setentrional e agora, curiosamente, minha. Observei os seus dedos pressionando as cordas com suavidade e firmeza. Observei o arco portando aquela que era sua melhor voz. Uma voz que não era só da jovem de olhos azul celeste e tez lunar. Era a voz do violino que falava ao mundo do seu criador. Era também a voz que atravessa os séculos e para nos dizer que o tempo é pródigo. E essa vida prodigiosa não pede nada mais do que isto para nós, os seus casulos: Sejam prodigiosos.
E o prodígio maior da vida começa quando nos reconhecemos iguais. Abaixei-me e retribui como eu podia naquele momento não apenas à música. Agradeci ao auxílio que recebi em descer mais um degrau da Torre que tolamente me apontava o céu. Eu estava mais perto do chão.
Dias depois voltei à mesma estação esperando ter mais uma vez o privilégio de ouvir a aquela violonista. Ela não estava lá. Perambulei um pouco pelo labirinto de corredores da estação de metrô. Desisti. Continuei então o meu caminho, mas guardava ainda a esperança de algum dia reencontrá-la.
Enquanto esperava meu trem, rodeado por aquele mar de ruídos eu podia ouvir claramente o som daquele mesmo violino. Aos poucos reconheci Vivaldi. Mas não havia a violonista. Apenas o reencontro, a lição aprendida, a memória.
Mas essa descoberta ao mesmo tempo que satisfaz, apavora. Essa é a parte mais difícil do processo, da compreensão. Assim que nos unimos pelo afeto, deixamos de ser necessários.
Nota:
(1) Comte-Sponville, A. (1999) Pequeno tratado das grandes virtudes. São Paulo: Martins Fontes, 392p.
Junho, 2009
(Paris)

domingo, junho 14, 2009

terça-feira, junho 09, 2009

Gif(ts)-sur-Yvette

Hoje, 07 de junho de 2009, às 20h (ou 15h horário de Brasília), eu estou aqui no meu quarto do Chateau du CNRS, em Gif-sur-Yvette1, na França, tomado por uma série de sentimentos diversos que, por diversas maneiras, são complementares.

Não poderia deixar de sentir uma pontada forte de tristeza pelos 228 passageiros e tripulantes que foram vítimas do recente acidente com o Vôo da Air France. Não importa as cores, as nacionalidades, os sexos, as idades, os credos, os partidos políticos, as profissões... É uma tragédia, enfim. Hoje na Igreja de Saint Remy em Gif eu (e meu hábito herdado do Bruno de visitar pelo menos uma igreja dos locais que visito) acendi uma vela para rezar do jeito que eu sei, um tanto agnóstico, mas essencialmente sincero. Pensei naquelas pessoas todas. Chorei um pouco pensando na dor das famílias. E, sentado nos bancos gastos daquela igreja, simples para os padrões europeus, eu quis poder confortar quem sente esta dor da perda repentina de alguém que se ama. Eu já perdi. Sei o que é.

A dor diminui com tempo, mas a falta sempre esta lá no fundo do coração. É uma sensação de vazio parecido com a falta Drummondiana que não é falta e sim uma ausência gravada na alma.2 Nos dá uma dimensão e um olhar diferentes sobre a vida, sobre a brevidade da vida, sobre viver. Essa dor amadurece e, se vivida intensamente e com verdade, se transforma numa pérola. É exatamente como está num dos livros mais recentes do Rubem Alves.3 Hoje esse sentimento se materializou inusitadamente para mim na letra de “Pedaço de Mim” do Chico Buarque, em especial nessa estrofe:

“Oh, pedaço de mim

Oh, metade amputada de mim

Leva o que há de ti

Que a saudade dói latejada

É assim como uma fisgada

No membro que já perdi...”

Coincidências da vida... Como eu poderia imaginar que ao sair da Igreja de Saint Remy, iria sentar naquele café numa das ruazinhas estreitas de Gif e ouviria tocar justamente esta música. É claro que a emoção toda que eu havia tentado controlar para poder sair da Igreja irrompeu de mim como um estouro de boiada. Chorei de novo, ali, anônimo, sentado num café numa cidade de um país distante, ouvindo Chico Buarque falar do que eu sentia.

De repente, alguém, que imagino ser o dono do lugar, me perguntou em um português bem pior que o meu inglês, mas perfeitamente compreensível, se eu era brasileiro e se tinha algum conhecido ou parente no vôo da Air France. Tentei me recompor, para minimizar ao máximo possível o vexame e disse que era brasileiro sim, mas não tinha ninguém chegado no vôo. Expliquei que de qualquer maneira o acontecido me provocava um forte sentimento de compaixão. Enfim... Não sei o que ele entendeu. Em qualquer situação é muito difícil explicar o inexplicável.

Conversamos por alguns minutos, tomei o meu café que acabou sendo uma prova da gentileza que se pode encontrar pelo mundo. Em seguida voltei para “casa” lentamente naquela tarde chuvosa de primavera. Fui pelo caminho contemplando a minha pérola.

Coincidências da vida... Eu levei tanto tempo para vencer o medo da barreira da língua e sair do Brasil numa viagem de trabalho e isso foi acontecer justamente nessa época. Há duas semanas, no dia 23 de maio, quando cheguei aqui para um dos acontecimentos mais importantes da minha vida, meu irmão Ronaldo, que morreu aos 39 anos, faria 49. Hoje também rezei por ele, mas não lamentei os 10 anos sem a sua companhia. Agradeci as quase quatro décadas que pude desfrutar não apenas do irmão, mas também do amigo querido, compreensivo e generoso a quem eu devo também o fato de estar aqui. Herdei dele também o afeto da Bruna Carolina, sua filha, hoje com 27 anos.

Há alguns anos atrás ela me apelidou carinhosamente de segundo pai. Nós sabemos o motivo disso, não é Bruna? Sabemos também que seu coroa ficaria feliz se puder saber do carinho, respeito e gratidão que guardamos até hoje por ele. Então esse é um dos presentes que tenho recebido da vida. Daí o trocadilho com o nome da cidade que serve de título para esse texto (gift em inglês pode ser traduzido como dom ou presente. A Ana Petrilli que me corrija se eu estiver errado).

Então, é desse dom/presente que eu gostaria de falar para as famílias que perderam seus entes queridos na tragédia recente. O que ficará deles é sempre o que mais importa. E isso não depende da presença. O nosso amor por eles os faz presentes.

Notas:

(1) http://www.mairie-gif.fr/rubrique.php3?id_rubrique=125

(2) Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

Que rio e danço e invento exclamações alegres,

Porque a ausência, essa ausência assimilada,

Ninguém a rouba mais de mim.

(Caros Drummond de Andrade)

(3) Alves, Rubem (2008) Ostra Feliz Não Faz Pérola. 1ª Edição, Editora Planeta, São Paulo, 288p.