quarta-feira, dezembro 31, 2008

Um abismo atrai outro...


Desvendado o primeiro abismo
Sempre haverá do que se abismar

Cada pássaro
Um espanto
Uma descoberta
Um vôo

O passado não existe
O presente ainda existe
O Futuro nem existe

Tudo que há
Há além desse tempo
Que se pode medir

Pois a medida de cada pássaro
É a altura do seu vôo

dez, 2008

sábado, dezembro 27, 2008

Província

Absolutamente,
O não ser é uma província.
Pessoas se debruçando nas janela
De suas casas debruçadas no topo das colinas
Olham o sol se debruçar no horizonte...

(Ai, que dor de cotovelo !)

março, 1988

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Canção para a Sereia


Há algum tempo me dei conta que o que me mantém vivo é mais palpável do que eu imaginava. Meu sonho me mantém. Meu sonho é projeto. Minha loucura é a minha sanidade.
Prefiro ser um tolo sonhador do que acreditar apenas em verdades que se provam. Para o crédulo que se levanta a cada queda, uma derrota também é vitória. Isso é o cerne de umas virtudes que mais aprecio: a fé. Ela é a ferramenta do amor. É através dela que nos entregamos ao o quê ou a quem amamos.
E não há diferença no amor se é amor. Todo amor precisa de fé.
E aqui está minha grande descoberta dos últimos anos. Qualquer entrega precisa de um sonho. E grande a tristeza do amor perdido resume-se em não sonhar.

SONG TO THE SIREN

On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your eyes.

And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."

Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?

Now my foolish boat is leaning, broken love lost on your rocks.
For you sang, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."

Tim Bucley

http://www.youtube.com/watch?v=4mUmdR69nbM

sexta-feira, dezembro 12, 2008

De novo, o abismo


Turbilhão, redemoinho, torvelinho...
E Agora
Mais do que nunca
Preciso da âncora necessária 
Meu Coração.

E o que é corpo se vai
Entrego ao vento
Entrego tudo que pode voar
Todo peso.

E Prefiro assim
Torvelinhar
Redemoinhar
Admitir o turbilhão
Estender as asas
Encontrar o Vendaval
Que emerge do abismo.

dez, 2008

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Merry Go Round



Como num carrossel, Vicky e Cristina partem com o mesmo olhar da cena inicial. O final da história  sugere um retorno à vida de antes de Barcelona. Para elas antes e depois se marca mais por um lugar do que por um tempo - Barcelona é a própria marca do tempo. O unico sinal perceptível de todos acontecimentos é a faixa na mão direita de Vicky, protegendo aquela ferida feita pelo tiro de raspão disparado por Maria Elena. Uma ação violenta - e se entenda aqui o valor da violência e da loucura - sempre inibe a origem possível de outra ação. Vicky, recém casada,  desce as escadas rolantes do aeroporto acompanhada pelo marido que representa mais do que nunca o pacto com retorno ao lugar seguro de antes. Cristina, os acompanha sozinha e talvez mais ciente da mudança. Juan e Maria Elena - a personificações de Barcelona, do encontro apaentemente negado por todos - ficam para trás. Assim termina Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen.

Grandes acontecimentos não significam grandes mudanças imediatas. A alma humana, conservadora, tende a voltar para o mar tranquilo do tédio cotidiano. É sempre assim depois de uma tempestade. Sempre se busca outra vez o mar tranquilo. Mas quando se olha com mais cuidado se tem dúvida. Será que esse Mar tranquilo existe é o mesmo?

Apesar do retorno frustrante para esse lugar seguro, onde não há nenhum porto, quem retorna não é o mesmo. Sempre há, por menor que seja, um desvio - uma pequena fresta na casca protetora da alma que inevitavelmente se expõe à mudança.

E as grandes mudanças,  são o acúmulo dos pequenos desvios na alma anterior.
E, a partir desse ponto o pacto com a infelicidade não se faz ao lutar com a mudança. Esse acordo silencioso se estabeleve na tentativa de "ignorar" a mudança e todas as suas evidências.

La Pedreira (Pátio Interno - Barcelona)