sexta-feira, novembro 28, 2008

Outro Sonho



Ele, de pé na beira daquele Lago tão grande que é chamado de Rio, se despede de um sol. O ocaso do dia era também o ocaso das suas esperanças que renasceriam no próximo alvorecer -como era de costume há anos. 

Pouco a pouco as águas turvas que tocavam o alaranjado do céu seriam engolidas por uma noite negra e sem cores. Havia outros a contemplar o mesmo sol que partia, ele, porém, estava tão deserto que não via ninguém. Aliás, a cidade, cada vez mais longe ao fundo, também estava deserta. Seus olhos vazios só exergavam a profusão difusa dos brilhos azuis, dos laranjas e de algum liláses que se fundiam a escuridão emergida das águas plácidas subtamente ao seu redor. Naquele brilho nada revelava um pensamento.

Lentamente ele caminhou para aquele encontro que era apenas o tempo encenando o seu mistério sem milagre. Os dias simplesmente passam sem se perguntar o porquê. Mas a nossa herança, porém, é perguntar. E assim como os Rios que são grandes Lagos, ele percebe também que tem correntezas.

Mas ele, cansado das perguntas, desiste de tentar saber o que virá até o vir. Ele sabe que é inevitável o outro dia. Revelações são sempre previsíveis - algo sempre tem que se revelar. Por isso tudo, naquele momento ele apenas desejava molhar os pés. Ele sonhava ser como aquele Rio encontrando um Sol no momento preciso da partida. Sem nenhuma despedida. 
E aquele Rio, que nem rio é, é mais rio que os outros Rios... Justamente por que não é.

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