sexta-feira, novembro 14, 2008

O Lobo que Alimentamos


Eu gosto das referências. Estou até preparando uma postagem sobre isso, mas ela está atrasada e será publicada com data anterior a esta aqui. Bem, esta postagem é exatamente sobre uma dessas "quinquilharias" que eu denomino em conjunto de referências.

Cada vez mais eu percebo a minha alma antiquada. Além de gostar das referências, não dirijo. Prefiro andar a pé quando posso. E gosto das fábulas, assim como daquelas historinhas curtas de fundo moral que se contava para crianças na hora de dormir. Alguns podem achá-las maniqueístas demais ou simplórias. Mas vejo, mesmo que de maneira precária, um paralelo entre esses textos infantis e os romances de formação ("bildungsroman"). Imaginem só: ningém vai dar "A Montanha Mágica" do Thomas Mann ou "O Retrato do Arista quando Jovem" do James Joyce para uma criança ler.

Então, esses textos cumprem um papel importante na vida da gente. E eu, obviamente, os coleciono e eles se amontoam entre as minhas referências.

Hoje a Graça Helena, carinhosamente chamada de G.H. (uma alusão bem humorada ao persnagem da Clarice Lispector, é claro), enviou-me um pequeno texto sobre os lobos que lutam na nossa alma. Foi oportuno pois tenho ouvido essa luta. E confesso que cada vez é mais difícil distinguí-los entre si. Por vezes eles ficam parados, entreolhando-se fixamente por um longo tempo como se um fosse o reflexo do outro - apenas rosnam com os dentes a mostra.

Muito do que era definido como mal ou bem tem perdido aquela distinção tão óbvia nesses meus 42 anos de vida. Não que os limites morais e éticos se flexibilizem tanto ao ponto de não reconhecê-los. Ainda não fiquei tão cínico assim, ou tão cansado. Mas à medida que os anos passam, vou me deparando com a imensidão da alma humana. As fronteiras que me definem vão mudando. Algumas vão se tornando mais profundas. Outras desaparecem. Vou descobrindo que há um porquê para cada virtude e cada defeito que dá forma ao meu caráter.

Hoje os meus lobos estão mais calmos... Depois de algum tempo de briga turbulenta ainda não dá para saber quem ganhou. Provavelmente nunca haverá um vencedor. Eles vão ter de se conformar com a convivência pois não há outro lugar para eles viverem. A mão que os alimenta também continuará a ser a mesma. No final das contas, eu serei quem eu alimentar.

"Um velho índio Cherokee transmitia ensinamentos sobre a vida para o seu neto. Ele disse: Existe uma luta entre dois lobos que vivem dentro de mim. Um é Mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, autopiedade, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego. O outro é Bom. É alegria, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: Qual lobo vence? O velho Cherokee respondeu com simplicidade: Aquele que eu alimentar..."

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