segunda-feira, setembro 22, 2008

Nota de Abertura

O abismo dos pássaros não é exatamente um lugar. Nem é um estado de espírito. É uma outra coisa equidistante da capacidade de voar e do desejo de cair. Sentimentos íntimos e dúvidas. Sentimentos íntimos e encontros. Sentimentos íntimos e toda a perda da noção de tempo, de espaço ou de qualquer dimensão alheia. O caminho que leva até lá, se houvesse um caminho, não se encontra em mapas, e seu traçado desafia todas geografias. Como todo abismo é feito de profundidades e reentrâncias. E os pássaros abismados parecem dispensar as asas. Voam (quase) sem esforço.

Um comentário:

Ariane Rodrigues disse...

Linda essa descrição! Ousar alçar vôo implica na superação do medo do declínio embora ele permaneça ali. Quanto mais alto o vôo, maior também o precipício, o ponto equidistante entre eles é feito desses sentimentos que parecem contraditórios, mas complementares, como as profundidades e as reentrâncias.

Isso poderia estar abaixo do título do blog...

Abraço!