sexta-feira, setembro 26, 2008

Presentes, presença...



Muita gente que me conhece, e que me gosta, tem uma imagem de mim muito além do que eu sou. O dia do aniversário é um momento oportuno para eu me dar conta dessa transcendência desenhada pelo afeto (Não é Arlene?). A data ajuda a lembrar e eu fico mais uma vez lisonjeado, inflado e repleto de uma alegria tipicamente libriana. Mas também encaro esse modo de me ver como sugestões de projetos. Há muito o que construir.

Eu também sei o que é gostar. Fui bem ensinado pela vida. Quando a gente gosta, gosta de verdade, sempre quer estar presente de uma maneira ou de outra. E aí entra em cena presentear. Gosto desse gesto, dentre outros tantos que permeiam a amizade. Para mim é um tipo de arte.

Sempre ganho presentes no meu aniversário. Presentes de vários tipos. Como eu moro longe de muitos amigos e da família, recebo diversos presentes imateriais e que me fazem muito feliz - telefonemas, mensagens... ainda recebo cartas e postais pelo correio de verdade (!), mesmo nesses tempos de comunicação virtual. Durante o ano, quando vou reencontrando os amigos, ainda recebo muitos presentes (materiais), cuidadosamente guardados. Isso faz do meu aniversário uma data comemorada ao longo do ano, um aniversário em gerúndio. Ah! Não posso esquecer dos telefonemas de uma hora, como os que eu recebo da Má - minha orientadora desde a iniciação científica até o doutorado, mãe científica (alcunha conferida pela minha mãe) e, sobretudo, uma amiga querida de quem eu me orgulho muito de ter e ser. Esses telefonemas longamente afetuosos são parte do motivo do feriado de 25 de setembro. Ontem recebi até telefonemas internacionais... O que será desse libriano no futuro? O que vocês, meus amigos, estão fazendo de mim? Dos amigos aqui de Porto Alegre recebo os abraços mais apertados e de coração grudado que alguém poderia receber (não é Fábio?).

Bem... Mas queria escrever particularmente sobre um presente. Um entregue por ocasião do meu aniversário de 42 anos. Recebi-o na véspera, embrulhado num tecido marrom com um cordão azul roial cuidadosamente laçado. Claro que o pacote já fazia parte do presente. O presente era um livro que eu procurava faz algum tempo e que a leitura terá, certamente, um prazer todo especial. Tudo - desde o pacote ao conteúdo; desde a maneira como foi entregue até a letra desenhada da dedicatória simples- denuncia um conhecedor da arte de presentear. E presentear é isso mesmo. É se fazer presente para o outro. Seja qual for o jeito que se encontra. Não importa a data.

Há alguns dias observo o tecido marrom, o cordão azul roial, o livro... Consigo até perceber um perfume conhecido. Presente valioso repleto de presença.

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