quinta-feira, setembro 25, 2008

Preferências


Quem me conhece já deve ter percebido do que gosto. Gosto de gostar de gostar... No fim de tudo quem somos além do que gostamos? Gostar para mim, sempre foi um exercício do ser. A alma inteira gosta, sente falta daquilo que perebe pelos sentidos e que não teria sentido se não tivessem alma. Gostar exercita o querer, o bem querer - queria eu poder todo o meu gostar na sua plenitude. Felicidade melhor não haveria.

Poderia fazer uma lista de preferências materiais - canetas, lápis, caixas, papéis... - mas todos eles remetem, de certa forma, a um bem que aparece simbolicamente em tudo que gosto. Entre os bens imateriais prefiro a mémoria. Em todas imagens recorrentes ela está lá. Memória, pássaros e abismos. Memória, pássaros, abismos, pessoas... E me apaixono quando a memória do amor (há outra?) cria asas e se abisma no outro. Amar é, entre tantas definições possíveis, uma contemplação da memória compartilhada que as vezes nem é lembrança.

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