quinta-feira, setembro 25, 2008

Domênico de Masi encontra Carl Jung



















Hoje decretei feriado nacional.
Afinal de contas, não é todo dia que se nasce. E depois de um inferno astral dolorido feito um parto de fórceps, acho que eu merecia esse presente. Concordo piamente com o Domenico: É exatamente nos momentos que não estamos fazendo "nada" que inovamos. Eis a idéia central de um dos meus livros de cabeceira e frequentemente citado, "Ócio Produtivo". Se pensarmos bem é um tanto quanto anárquica essa preferência literária num professor/pesquisador de Universidade Pública e Gratuita Brasileira (Salve, Salve!) que tem que matar um leão por dia para sobreviver num mundo de CNPqs, CAPES, Qualis, Fatores de Impacto e etc...

Sem "nada" para fazer, pois é feriado, resolvi ativar esse blog cujo o nome de batismo, "Abismo dos Pássaros", surgiu há uns 3 anos atrás. A inspiração para esse nome veio de um verso do poema "Asas", escrito por mim em 1997 e que está reproduzido ao final desse post. Ele, o blog, foi mantido por anos num limbo cheio de dúvidas sobre a exposição minhas idéias e sentimentos. Sou um libriano comedido, se é que isso existe. Lancei este blog numa comemoração antecipada do feriado nacional de 25 de setembro, inspirado pelo Bruno e também pelo Fábio (meio responsável por eu ter coragem de publicar meus textos no orkut). Aí descobri há pouco pelo Google que não fui tão original como eu tolamente pensava. Encontrei em um outro blog um poema que se chama "Abismo de Pássaros":

Os poemas são pássaros
nascidos no longínqüo,
sem ninho ou destino,
que vivem sem tempo.
Sem pouso e sem vontade,
seguem voando, eternos,
nas linhas de meu horizonte.
O poema é, em si:
vaga na angústia do sonho,
segue o vento em vôo lento,
mergulha das densas alturas
e eterniza-se, por fim,
abismando-se em mim
(Robertson FRIZERO Barros)
http://locutorio.blog.com/464836/

Vou atribuir esse incidente ao bruxo do Carl Jung e a sua teoria da sincronicidade. O que fazer? Acabei descobrindo que o poeta, autor do poema acima, é carioca e também mora em Porto Alegre por opção. Não sei se ele ama tanto essa cidade como eu. Mas acabo de mandar um e-mail para o Robertson. Espero que ele receba isso como uma homenagem, mesmo que acidental. Espero também que ele não se ofenda pela minha falta de talento...

ASAS
Emancipei a identidade da matéria
Da lei universal e irrevogavel
Que “protege” cada homem
Do abismo (inevitável) dos pássaros
Descobri o prazer
De cair sem tocar o chão
Descobri que a confiança nas asas
Dispensa qualquer movimento
E o sustento do chão
Porém, antes até das asas, confio no ar
Confio na verdade das matérias invisíveis
Matérias impalpáveis, mas tangíveis
Feito a música que se pode tocar
Que se constrói nos gestos
E permanece flutuando no silêncio...
Por isso meu vôo
Não precisa nem das asas
(Assim é o amor que eu sinto)
Novembro/1997



Domenico de Masi (esquerda); Carl Jung (Direita)


set, 2008

Um comentário:

FRIZERO disse...

A poesia é um abismo de pássaros...