quinta-feira, setembro 25, 2008

Mito da Memória




Toda memória, seja qual for o seu processo, é boa. Essa é uma "definição" particular, bem pessoal de memória, eu sei. E que me desculpem os puristas pelo pecado de dar valor à memória. Mas memória ruim não há. Memória ruim é trauma.

Considero a memória, muito além de uma capacidade da mente. Considero uma virtude da alma. Quem tem essa virtude sabe contar boas histórias como ninguém. Há algumas semanas fui arrebatado por uma virtuose nessa arte de contar histórias. Fui com o Fábio assistir o espetáculo da Laurie Anderson (Homeland) que deu início a maratona cultural do Porto Alegre em Cena de 2008. O texto de abertura, o Mito da Memória - que descobri ser baseado na peça "Os Pássaros" de Aristophanes -, terei que puxar da memória pois não o encontrei nas minhas buscas virtuais... Bem, era algo mais ou menos assim:

"Nos tempo em que as terras ainda não existiam uma cotovia voava incansavelmente sobre o oceano sem poder pousar. Como seu pai havia morrido, buscava em vão um local onde enterrá-lo num mundo sem terras. Por seis dias a cotovia voou sem encontrar nenhum local para o túmulo até que tomou uma decisão - ela sepultou o pai na sua própria nuca. E assim surgiu a memória."

Uma linda imagem, pois nos lembra que o processo pelo qual se adquire memória pode ser denso, cheio de sacrifícios, até mesmo doloroso... Sempre é um momento profundo aquele que se grava na memória. Mas o resultado, as imagens, os cheiros, os sons, tudo que fica nos define. Memória é mais do que simples lembrança. É identidade.



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