Terça-feira, Janeiro 12, 2010

Vazio e Vasto


Não há intenção neste verso
Há em todo lugar ao redor

Coração vasto
Sensação de vazio

Verso intenso
Mesmo quando é nada.

Janeiro, 2010

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Primeiro Encontro


Dormita meu amor
Que o teu restinho de sonho
É quase verdade

Tenho nada a te oferecer
Eu não sou nada na tua vida
Sou simplesmente aquele que te aguardou
Do lado de fora do teu sonho

Pois eu sou real
Pois fui eu quem te procurou
Na tua procura de mim

E agora
Abrindo os braços
eu quero só você
No meio do redor do meu abraço.

Janeiro/2010

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Badi


Eis a mulher que ousa ser pássaro
Canta
- e tão divinamente -
que nem carece de voar...

dezembro, 2009

De composição


Amor mor
Amora vermelha, doce e morta
Nada além das palavras, lavras, larvas
Por onde vai o teu caminhar?

Hoje o rio esqueceu dos peixes
O vento anda só, longe das nuvens
Meu caminho não tem companhia

E eu sinto
A sensação de um caracol sem casa
Lambendo as folhas perdidas das árvores
Pois nesta altura o que espero é retorno
Todo eterno passado
Embalsamado na minha saliva
Tempo gravado
Lentidão.

dezembro\2009

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

Poema Natural II


Dias passados de antúrios

Manhãs repletas de girassóis

Luz tênue
Água calma
Breve rio

O tempo
No rastro dos caracóis.

Dezembro, 2009

Domingo, Novembro 08, 2009

Pequena História da Vida


Compreender leva tempo e a vida andou com pressa... Feito o vento, areias, ondas do mar. Eu me lembro de você, sempre confuso. Eu sabia que os homens à beira do abismo constroem a própria solidão repleta dos outros. No teu olhar havia apenas aquela mesma dúvida. Hoje eu sei que os teus olhos eram apenas as janelas da máscara confortável e cotidiana. Tanto tempo se passou até a a nossa compreensão. Mas voltar nunca será uma virtude dos nossos destinos. Nos perdemos no caminho para aquela praia onde a vida se escrevia antes das ondas.

novembro, 2009

Sábado, Outubro 24, 2009

Depois do esquecimento, a esperança.


E sem o peso do passado em sua nuca, pode distinguir - além do mar sem fim - o horizonte. Assim nasceu a esperança.

outubro, 2009

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Mito do Esquecimento



Segundo conta o mito, houve um tempo em que os pássaros voavam sobre um mar sem terras. Depois de voar por muito tempo sobre águas sem fim carregando o corpo morto do pai, um dos pássaros resolveu sepultá-lo na sua própria nuca. Assim surgiu a memória. (1)
O que não está escrito e nunca foi contado, seguiu-se depois. Cansado de voar com a memória do pai, aquele mesmo pássaro voltou a procurar. Do corpo sepultado em sua nuca, restava cada vez menos. As memórias tornavam-se cada vez mais distantes. Foi então que encontrou um barco abandonado, à deriva no mar sem fim. Resolveu que ali deixaria os ossos de seu pai. E assim surgiu o esquecimento.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Matemática do Abismo

Um número redondo, desses grandes, olha com desdém um número primo e diz:
-Eu sou grande e par. Sou comemorado.
E respira fundo, alegre e confiante.
O número primo, fitando o próprio reflexo no espelho, responde:
- Eu só me divido por mim mesmo e o que resta é unidade. De certa forma, sou único, mas estou até no canto das cigarras.

outubro 2009

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Sobre Jasmins-Manga e Guapuruvus



O que falta?
Eu me pergunto
É um sentido de vida
Se à altura dos quarenta
Todo sentido é direção
O tempo é também precioso

E, de repente
Outra vez o “de novo”
O início das coisas
Todo recomeço
Um olhar que desconheço
Onde será que eu me perdi?

Antes que perguntar
Prefiro esperar sob a sombra das árvores
E, lentamente
Encobrir os meus passos

Se cada passo, uma lembrança
Cada lembrança, a sombra de uma árvore
Assim contarei os meus anos:
Sem lembranças
Apenas sombras
O desenho das folhas
Alguns ramos
Tudo é “sombras”

Flores todos os anos
Por alguns dias, flores
Se é lembrança os seus odores
É também a imagem das frondes

Mas aguardarei feliz
A lagarta faminta do tempo
Devorar-me
Ávida por ser borboleta.

janeiro, 2008

Quinta-feira, Outubro 01, 2009

Memória


A lembramça que guardo sou eu,
Sou também esse passado
Onde estou...

E sempre estarei
Em cada encontro
Em cada espera
Em cada palavra
Em cada silêncio
Em cada olhar

E sempre amarei...
Cada espera
Cada encontro
Cada palavra
Cada silêncio
Cada olhar
Por mais breve que seja...
Durarei eternizado por cada recordação

E se hoje não sou o mesmo de ontem,
(Nunca serei)
Estarei para sempre
Na memória compartilhada
Da primeira chama.

junho, 2008

Domingo, Setembro 27, 2009

Arco


Quis ser virtuoso
Coerente com minha vida cheia de palavras
Quis ser virtuoso e desafinado

Recolhi-me neste mundo silencioso
Onde o som das palavras é memória
Um eco reverberando no abismo

Nem feliz
Nem triste
Nem poeta

Apenas escrevo
Para não esquecer o que é falar.

setembro, 2009

Quarta-feira, Setembro 02, 2009

Pasto


Partir por estar perdido
Soa as vezes como desculpa
De quem numca (realmente) chegou

A grama que cresce do outro lado da cerca
Pode estar (agora) mais verde
Mas toda grama é apenas capim
E o que é o capim além de pasto?

Talvez a boa sorte
Para quem parte perdido
E ter para onde voltar.

setembro, 2009

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Wonderland


A humanidade criou cidades
E o homem perdeu o espaço

Eu que prefiro o campo
Até vivo bem por aqui
Como viveria em qualquer lugar

Faz tempo que não pertenço
E a minh'alma nação
Conhece bem o preço desta liberdade.

setembro, 2009



Domingo, Agosto 30, 2009

If Less Is More...Nothing Is Everything


Ah! O vazio...
Sempre a nos espreitar
Sempre nos nossos calcanhares
É um pesadelo que aterroriza
É apenas o vazio

Medo tolo
Medo do nada
De ter nada
Por dentro

Contenta-te com que tens
Contente pelo que tens
Sorria sem motivo
Não há melhor contentamento.

agosto\2009

Sábado, Agosto 15, 2009

Louis Vuitton (Le luxe ou rien!)


Há muito tempo
O meu coração
Decidiu não carregar excesso bagagem
O pouco que restar, se restar...
Será o meu luxo.

agosto, 2009

Alerta nas entrelinhas de toda literatura poética


Não sinta tanto assim o tudo
Não é saudável
(Esqueça)

Muito menos
Procure alento na leitura
De quem nomeou o incompreensível
O inominável...

E, o mais importante,
Não seja poeta.

agosto, 2009

Paux de un


O meu silêncio
É como um passo virtuoso de ballet
É suave...

Não deixa de ser um esforço.

agosto, 2009

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Para uma tragédia: pelo menos dois


Há alguém lá fora
Engano meu
Certamente havia alguém lá fora
Não era o barulho do Minuano
Nem a chuva incomum destes dias invernais

Sim, alguém
Eu sei
Sempre soube
E era aquele você esperado
Era também o alternar de lembrança
De encontro e de de desejo
Tão comum no coração de um apaixonado

Fui capaz, apenas por algum tempo,
De contemplar o seu gesto paradoxal
Você cada vez mais distante
Mesmo no momento do encontro

Enxergou o meu eu mais profundo
Como quem simplesmente olhava uma janela
Onde qualquer segredo em mim
Descortinava-se pros teus seus olhos
E assim fui inteiro sem direito as metades
Num tempo tão breve despertenci

Mas parafraseando o Álvaro (1)
Num misto de citação e plágio
Mesmo que isso tenha acontecido,
isso aconteceu a tão pouca gente
Que nem vale a pena ter pena
Da gente a quem isso acontece.

julho, 2009

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Sirénios


Meio terra meio água
Canta pras ondas
Como quem flerta o mar

O quê tu esperas
Se o oceano não ouve
E nem vê?

julho, 2009

Quarta-feira, Julho 29, 2009

Epitáfio do Amor


Definitivamente o Amor está morto. Não acreditei. Conferi nos anúcios fúnebres dos jornais da capital. E era verdade. Ele morreu, velho e desgatado. Dizem que foi de tédio pelas rimas vulgares. Dizem que o amor se incomodava com a flor e com a dor. Triste do Amor que precisa explicar o porquê da própria morte. Nem na morte consegue sossego. Dizem também que ele morreu pelo desuso, feito o latim. Ninguém entendia e nunca há(via) muito tempo para o Amor. Frases muito longas, cheio de declinações, nada prático o Amor. Ambos são bons candidatos para a morte. O Amor, a exemplo do latim, esquecido e sem uso, decidiu morrer. E morreu todos os dias desde que o primeiro ser o encontrou. Naquele tempo o Amor, renitente que era, insistia em nascer e o Ser e o verbo se confundiam numa língua viva, cheia de linguagem, sinais, mensagens, emoções, afetos, flores, dores... Mas o Amor não resistiu. E Morreu. Por que o Amor, entristecido, quando se descobre sem uso, continua morrendo. Ele morre dentro de si. Ele morre de dentro para fora. Ele morre todos os dias. O Amor morre simplesmente, sem caixão folheado a ouro. Ele morre sem cerimônia. Astro pop morre melhor do que o Amor. A vantagem é que o Amor morre em gerûndio, mesmo nos anos bissextos. Sim, espalhem a notícia: O Amor é um deus mortal! E não se espantem, pois o mundo continuará do mesmo jeito sem o Amor. A vida o dispensa todos os dias e continua viva. E ele, o Amor, inútil, resolveu apenas não mais resistir - o que é bem simples. Antes morrer do que ser morto todos os dias. E o que fazer todos os dias com o Amor? O Amor não é algo prático. Sempre dá problemas. Melhor morto e embalsamado. Talvez o Amor exposto, destripado, virado no avesso do Amor sirva para alguma coisa. E, aliás, pra que serve o Amor - vivo ou morto? Vende produto? Cria famílias? A indústria se desenvolve, os mercados se expandem, as famílias prosperam, a humanidade enriquece há séculos e foi cientificamente comprovado que tudo isso acontece sem o Amor. O Amor é um exagero inútil. Não, agora, que está morto. E tudo que morre vira lembrança por algum tempo. O Amor-lembrança provavelmente servirá para algo. Será que esse é o valor do amor? Faltar? Morrer todo dia para ser procurado, pensado, destrinchado, pesquisado. Será que o Amor vale que nem o Mar Morto que é morto e nunca deixou de ser Mar. Se a lembrança de qualquer coisa a deixa mais viva, por que não seria assim também com o Amor? O Amor morto é mais vivo do que foi em vida. Então, essa é a estratégia do Amor, deus mortal. E por isso ele morre todos dias. Ninguém se dá conta do Amor moribundo que ainda resiste. Só o Amor definitivamente morto será lembrado. E morre o Amor pois não se morre com ele. Este será o seu epitáfio.


julho, 2009

Sábado, Julho 25, 2009

Mudez


Em qualquer lugar
Há mais som que silêncio

Mas se eu não te ouço
É difícil acreditar
Na tua voz mais profunda.

julho, 2009


Quinta-feira, Julho 23, 2009

Axioma de Eros


Não existem paixões mal resolvidas
Entretanto elas representam
De maneira aproximadamente suportável
As paixões que eu não compreendi.

Julho, 2009

Tear


O amor tece
Seus próprios mitos
E os fios da teia
Do amor/tecido
[temor d'amor(te)]

julho, 2009

Quarta-feira, Julho 22, 2009

Fim e Princípio


Entre os mistérios do ser
Há a verdade (ilusória) da rosa

Nasce bela
Morre breve.

julho, 2009

Sábado, Julho 18, 2009

Licor de Abacaxi



"Je sais une tristesse à l'odeur d'ananas,
je suis moins triste,
je suis plus doucement triste."
(Gaston Bachelard)

O amor (se é amor)
Morre como um abacaxi
Resiste morrer
Apodrece de dentro para fora
E retem a doçura.

Julho, 2009



Quarta-feira, Julho 08, 2009

Suplício dos Anjos


Não há castigo maior
Do que viver como os anjos

Ter o dom de voar
E ignorar o peso do corpo.

Julho, 2009

Sem Título


Ter esperanças
É ser amigo do tempo

Só tem esperanças
Quem tem memória.

Julho, 2009
(De volta ao lar)


Segunda-feira, Junho 29, 2009

Retorno (e)terno


Porto terreno
Porto terno
Melhor permanecer no mar

A terra que descobri
era toda ilusão.

Junho, 2008

Sábado, Junho 27, 2009

Mutanti


Ao tomar caminhos errados
A vida experimenta o novo

Para me renovar
Devo me perder.

junho, 2009
(Firenze)