sábado, setembro 03, 2016

"Gladness"


Para o Raphaell























Não sou 

um homem prático

Pratico o sonho
o amor
a vida
como posso
e quando
quando?

Tudo isso
é meu
é seu
é deles
é vosso
(nosso)

E tudo isso
pertence
não pertence
se sente

Sente-se
é só o tempo

Sentimento longo
comprido, amplo
ele não tem tempo

Sem nome
aos poucos
a si próprio batiza

É o novo.

g.s. 03 set 2016

segunda-feira, agosto 22, 2016

Linha do céu



foto glgsoares, Torres del Paine (fev. 2011)

Eu gosto de conversar. Eu sou um conversador. Professor universitário e pesquisador. Não conheço nenhuma verdade. E duvido das verdades que conheço. Acredito no que não creio e creio no imaginável. Gosto tanto do antigo, quanto do revolucionário. Quais as ideias conhecidas? Quem sabe? Quem inventaria a roda todos os dias? Pra que serve ter uma razão? Uma razão é a torre alta feita de marfim. É a linha irregular do horizonte das grandes aldeias. Eu quero tocar o céu. O céu tem nuvens que são qualquer coisa e viajam ao vento. O céu tem o sol e tem chuva. Do céu goteja o limite que umedece as mãos, escorre por entre os dedos e sacia a sede das sementes. Sim! As admiráveis sementes. Elas não tem limites e rompem o concreto pra germinar e florescer - flores carregadas de amanhã, de frutos e de novas-idades. 

Eu gosto de conversar. Eu sou um conversador. Mas no final de uma conversa, costumo me despedir com a mão estendida, segurando uma flor.



g.s. setembro, 2106

quinta-feira, setembro 24, 2015

Silk Road


Sente-se feliz e o mundo
Não está na pontas dos dedos
Ou na palma das tuas mãos
Nem mesmo te faz falta esse mundo
Pois o possui mais profundo
Nas reentrâncias do teu coração
set.2015

domingo, maio 04, 2014

Encontro

Na Fronteira
Entre o infinito 
E o princípio do mundo
Há um deserto onde
(Num tempo quando)
Os viajantes e seus pertences
As marés e suas ondas
Os céus e suas estrelas
A escuridão e suas sombras
Tudo se encontra

mai, 2014



domingo, abril 27, 2014

Fotografia

 Imagem difícil?
Um voo
Ar em movimento
Fumaça no vento
Cambalhota

Bicho que voa
Pousado na mão
Ilusão do ar?
Pergunta pro vento

E o Fogo?
Bicho que voa
Não quer apegar.

abr, 2014


Flos curandis

Nova espécie não é de hoje
Comtemporânea ao tempo
São muitas
São Rios
São canais comunicantes
Desconhece quem é

Meio as redes e o milagre
A multiplicação dos peixes
Dá um tempo para tudo
Panacéia
Salvação dos homens
Libertos da necessidade

E a há semente que germina
Verdade da pétala
Flor que cura tudo
Flor da pele

abr, 2014


segunda-feira, abril 14, 2014

Atol


Não és uma ilha 
Pequeno mundo
Imensidão dentro do litoral
As vezes é só continente
Outras é mar

Onde encontra o vazio
A alma se estende
Reflete quase nada
Espelho do ar


abr, 2014
 



domingo, março 09, 2014

Jornada

Tive mil corações
Exilados da terra
Onde vivi desgarrei
Foram tantos litorais


Sequer vi mar
Oceano de pó
Nunca parti 

Nunca cheguei
Andei encruzilhado

Sem bagagem segui

Repleto dos meus bens
Sorrisos e músicas
Cheiros e paisagens

Falo nenhum idioma

Compreendo todos
Se um dia chegar
Será a manhã
Vontade de partir

Meu navio não tem nome
As velas não me pertencem
Meu vento é humanidade

mar, 2014

domingo, fevereiro 16, 2014

Chiaroscuro


O inferno é branco
Dentro da gente
Só podemos percebê-lo,
Descrevê-lo
O assistimos com atenção
Com desvelo
Mas entretanto e tantos
Não sabemos o seu nome

Ardemos ao contrário
E pelo avesso
Num momento de clareza
O chamamos:
Vazio

fev. 2014

sexta-feira, janeiro 10, 2014

Life on Canvas


Vermelho sanguíneo
Vívido, vivaz, voraz
O prazer da carne viva
A dor e as vísceras
Sangue vertendo das tramas
Do viés incompreensível do belo
À beleza invulgar

jan, 2014

terça-feira, janeiro 07, 2014

Somos





Não moro aqui
Eu viajo
Minha nacionalidade é o mundo
Meu sobrenome é humanidade
E sonho com o dia
Quando compreender será tanto
Que o tanto que somos
Se reconhecerá em cada um.

Jan, 2014


segunda-feira, dezembro 09, 2013

Cais














Belo horizonte belo
Ao alcance da vista
Não se pode ver

Entre aqui e o mar de montanhas
Ergue-se o que fizeram com a tua riqueza:
Recifes de concreto
Cardumes perdidos 
Ondas de solidão

Grande litoral erguido
Por desejos tão antigos e humanos
Onde fica o seu cais?

nov, 2013
(Belo Horizonte)

sábado, setembro 28, 2013

Compasso


Me dá teu braço
Vem comigo e vamos embora
Partir é só um passo
Vem comigo e vem agora

Ontem já conhece a estrada
Eu nunca sei onde vou
Amanhã um dia acaba
Te guardo no que sou

set, 2013










Coisas Supimpas




















Amigos são
Pássaros também
e a Primavera? 
Flores!
Abraço, beijo roubado, bons dias
Cheirinho de café
Caminhar lado-a-lado
De braço dado
Conversar
Um coração saudoso
Sangue quente
Alegres reencontros
E tem a música
Ah a música...
As vezes eu sonho te (en)cantar.


setembro, 2103

segunda-feira, setembro 16, 2013

sábado, setembro 07, 2013

Fogo-fátuo

Que fogo é esse 
ardendo no peito?
Guerra ou fim de mundo 
Espreita a vontade de viver?

Dizem por aí 
É o medo
Sem palavras

Indecifrável

Um dia já foi amor.


set, 2013

quarta-feira, setembro 04, 2013

Sem Título

 
O medo não cria nem mata
Cala as dúvidas e perdura a rigidez
Ama as grades

Medo
É antônimo de liberdade.
 

set, 2013


sábado, agosto 17, 2013

sexta-feira, agosto 16, 2013

Minha Lisbon Revisited V


Desculpe-me
Sinceramente o mundo
Se esbarrei em ti
Não foi de propósito

A propósito disso
Me perdi dos motivos
Em Almada

Jul 2013
























quinta-feira, agosto 15, 2013

Minha Lisbon Revisitada IV

Venha cá Fernando
Deixemos a filosofia de lado
E vamos falar das pessoas

Querem tanto conhecer
A si mesmas
Os outros
Os outros lugares
Algures

Quem 
Afinal de contas 
Conhece?


jul, 2013
(Lisboa)



Reflexo do Ouro

Pensar demais
Não criou a beleza da ponte Dom Luiz
Refletida no Douro
Nem o céu emoldurando tudo
Foi a ferrugem

E a perfeição vive a chutar 
Os culhões do mundo.


Ago, 2013
(Porto)



A Margem do Ouro

Partir ou ficar
Compartir ou partilhar

Teus desejos
Revelam.

Agosto, 2013
(Porto)


Minha Lisbon Revisited III


Primaveras e beligerâncias
À sombra do velho caramanchão

Nunca estive aqui tão jovem antes
O céu azul é o mesmo
Outras nuvens cor de camurça
Neste coração maduro
Ainda vive a mesma criança

jul, 2013
(Lisboa)

Minha Lisbon Revisited

Lisboa é boa
Para mim
É a melhor de todas
E nem é isso que importa
Mesmo que lhe queiram derrubar
Lisboa é
Simplesmente
Boa.


Julho,2013
(Lisboa)


Minha Lisbon Revisited II

Eu também não quero nada
Compreender me basta

E agora já sei
Porque me afeiçôo aos asnos:
Quando me puxam:
Empaco

Jul, 2013
(Lisboa)

O Mal das Flores























Preciso urgentemente
Me tornar artista
Tanta beleza
Intoxica

Jul, 2013
(Paris)

sexta-feira, julho 19, 2013

Escrita

Escrevo não-poesia
repleta do que é esperado
para ser

Nem toda beleza que eu encontro
na confusão das asas
ou na fronteira luz-escuridão
fica aprisionada

Deixo que vá
Pois está

jul, 2013

quarta-feira, junho 26, 2013